A História de Capital Revelada – Parte III

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Uma relação abusiva, uma tentativa de suicídio…

Antes de tudo: esta parte aqui é spoiler-heavy de Capital Revelada.

Terminando a saga: nos últimos posts vimos as duas primeiras versões que a história de Marcos e Luiz teve. Agora está na hora de terminar. Lembrando que eu terminei o último post declarando que amassei e joguei toda a Tetralogia da Pescadora fora, e Marcos e Luiz ficaram no limbo de novo.

Até que eu estava chegando ao fim da faculdade de História e comecei a estagiar na Marinha. Foi o ambiente esquisito, formal e sombrio do Arquivo da Marinha que me fez repensar o enredo todo, e foi um tombo – um tombo que eu tomei na Rio Branco, às cinco e meia da tarde – que me impulsionou a escrever.

Deixa eu explicar.

Eu trabalhava feito um condenado na época. Sempre gostei disso de dar tudo de si: eu chegava no horário certo, implorava por faina, fazia tudo, pedia por mais e sinceramente me divertia trabalhando com os arquivos. Eu recuperava pessoas mortas e esquecidas há muito, ajudava as pessoas, mantinha memórias vivas. Comia comida questionável, lidava com fantasmas, via navios, aprendia sobre hierarquia militar, aprendia com meus superiores. Era ótimo.

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Tá vendo aquela ponte que leva à Ilha das Cobras? Tá vendo a primeira construção à esquerda da ponte? Pequenininha – lá é o Arquivo da Marinha e eu trabalhava lá.

Vou abrir mais uns parênteses.

O Arquivo da Marinha é meio assombrado. Já ouvi gritos vindos de lugar nenhum – e juro pela minha mãezinha –, já me contaram de verem vultos; me falaram que o fantasma de uma comandante ronda aquelas salas. E também- trabalhar com a História te deixa meio sensível a essas coisas. Você procura a história de vida do 1º Tenente Médico Abel Coelho e descobre que ele sofreu um ataque cardíaco e faleceu em Ladário, e se sente muito triste porque ele já era seu companheiro de pesquisa há muito tempo…

Voltando. Para o tombo. É.

Eu tomei aquele tombo terrível enquanto voltava do serviço, cheio de coisas na mochila. Tropecei na junção da Rio Branco com a Av. Nilo Peçanha e fui direto ao chão, tal qual manga madura. Só que eu, maroto e malandro, pra evitar virar chacota em pleno horário de rush, decidi não me levantar. Caí de maduro e fiquei. E aí todo mundo ficou preocupado comigo; um velhinho veio me acudir e perguntou se eu estava bem, se tinha desmaiado. Estava tudo bem. Só que no dia seguinte eu teria serviço e estava todo ralado.

No dia seguinte, fui trabalhar sentindo que estava moído. Por causa dos joelhos roxos e ralados, mal conseguia me agachar para pegar coisas. Os cotovelos feridos, dobrá-los era difícil. E meu queixo também estava com um band-aid nele.

E foi ótimo.

Pensei: nossa, imagina só o Marcos tendo que trabalhar todo ferrado, todo dolorido, depois de uma noite de caça. Que fantástico seria. Que nem eu estou me sentindo agora…

E aí comecei a desenvolver e melhorar o enredo… eu precisava adaptá-lo para a minha realidade, que era de estudante-quase-formado-provavelmente-desempregado-se-tornando-adulto.

Luiz seria um estudante de História da UERJ. Marcos fingiria ser estudante de Enfermagem, mas, na verdade, nem teria terminado o Ensino Médio. O restaurante Akiyama existia desde a segunda encarnação da história, então botei ele também – seria onde os três primos trabalhariam. E eu faria uma sincera homenagem o meu passado: o antagonista/anti-vilão da vez era ninguém mais do que Yasunori Kurosawa, espírito/candjô perturbado por nunca ter se despedido de Kazuo Aoshima – este que tinha sido Susumu Nakahara; o nome trocado foi porque criei outro personagem chamado Susumu nesse meio-tempo e ele aparece em Capital Revelada também, além de que não gosto do nome Nakahara e quis fazer um tema de cores: Kurosawa, pântano preto; Aoshima, ilha azul.

Mudei também as personagens da Camila/Yumiko e Milena/Sanae: Camila seria só uma caçadora normal (e a pessoa mais bem ajustada), e Milena teria uma segunda face. Ela é inspirada em uma garota que foi muito amiga minha e que, imagino, ferida pela minha incapacidade de corresponder aos seus sentimentos, decidiu se afastar em definitivo de mim.

Minhas inspirações da vez foram os livros do Haruki Murakami e do Kinoko Nasu, em especial o segundo de Kara no Kyoukai. KnK, aliás, também serviu como inspiração estética – o OVA é muito, muito bom – assim como o erótico-grotesco de Suehiro Maruo. Em música, posso citar principalmente Kenshi Yonezu e Daoko. Fora as influências óbvias de Teito Monogatari.

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O Vampiro que Ri de Suehiro Maruo.

A ideia seria contar uma história calma, mais sobre dois rapazes – e, como secundárias, duas moças – que precisam se tornar adultos e se soltar de suas famílias e menos sobre PORRADARIA!!! AÇÃO!!! FANTASIA!!!. Mais sobre um romance entre os dois protagonistas em meio a um mistério e menos sobre coisas grandiosas e épicas. É o tipo de coisa que eu gosto de ler e que acho que talvez alguns leitores vão se identificar…

Acho que ficou legal.

E lembram da última cena de Capital Revelada? Da mulher misteriosa e do garoto que a acompanha no Arquivo do Exército?

Então. Essa é a Pescadora.

Acho que as coisas ficarão very nice, very nice, very nice…

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