[RESENHA] 172 Horas na Lua -Johan Harstad

resenha-172-horas-na-lua-5

Título: 172 Horas na Lua
Autoria: Johan Harstad
Editora: Novo Conceito
Nº de páginas: 288
Gênero: Young adult | Terror espacial
Nota:

 

 

O ano é 2018. Quase cinco décadas desde que o homem pisou na Lua pela primeira vez.

Três adolescentes comuns vencem um sorteio mundial promovido pela NASA. Eles vão passar uma semana na base lunar DARLAH 2 – um lugar que, até então, só era conhecido pelos altos funcionários do governo americano.

Mia, Midori e Antoine se consideram os jovens mais sortudos do mundo. Mal sabem eles que a NASA tinha motivos para não ter enviando mais ninguém à Lua.

Eventos inexplicáveis e experiências fora do comum começam a acontecer…

Prepare-se para a contagem regressiva.

Eu fiz uma curta resenha desse livro no Goodreads assim que terminei, mas vou desenvolvê-la aqui.

SPOILERS AHEAD

Esse livro é ruim pra cacete.

É pra ser um livro de terror – fora alguns tipos muito específicos de suspense e terror, a forma ideal para se fazer isso geralmente é num livro menor porque o suspense não se sustenta sozinho por 300, 400 páginas, a não ser que o autor seja muito bom e saiba muito bem dosar as gotas para nos deixar interessados. O problema de 172 Horas na Lua é que quis tentar ser um YA, um terror, um suspense, tudo, sem um pacing legal, e não consegue ser nada no fim das contas porque o autor constantemente patina entre dar atenção à parte YA e à parte de terror, sem nunca decidir o que fazer. Explico:

A começar, o enredo é que três adolescentes de 13 a 18 anos serão escolhidos para irem para a Lua numa missão disfarçada de “para aumentar a publicidade da NASA”. Adolescentes na Lua. Numa viagem onde qualquer erro é fatal. Acompanhados apenas de 5 adultos. Pra quê? Isso não faz sentido em nenhuma situação: se tratar de maiores indo numa missão perigosa já é coisa séria (vide o discurso “In the Event of Moon Disaster” do Presidente Nixon), imagine botar menores. Mas precisa porque senão os jovens não vão se interessar, eu acho, e não vai ter motivo pra botar um instalove entre Antoine e Mia. (Gente, pelo amor de Deus, a primeira coisa que a Midori faz ao chegar na Lua é tentar tirar as próprias botas pra botar umas que achou lá, e uma adulta tem que lembrar ela da temperatura abaixo de zero e ela só fala “ah, verdade, obrigada”. É por ISSO que não se levam adolescentes nesse tipo de viagem)

Basicamente, você não precisa ler os primeiros 2/3 do livro para entender o enredo porque essas partes se resumem a:

1) Explicar toda a história de vida dos três adolescentes principais,
2) Explicar a história de vida de personagens secundários que nunca voltarão,
3) Explicar tintim por tintim como os adolescentes viviam antes e durante a chamada para a Lua,
4) Explicar como eles chegaram até NY, o que sentiram, seus problemas com bullying, com ex-namoradas, com a família,
5) Botar uns pontos de vista meio nada a ver que serão inúteis a longo prazo,
6) Explicar o treinamento.

O livro é sobre DEMÔNIOS DO INFERNO QUE MORAM NA LUA E COPIAM A APARÊNCIA DOS ASTRONAUTAS E MATAM TODO MUNDO E QUEREM CHEGAR À TERRA. Tais capetas só aparecem no último terço do livro. Francamente, perdi meu tempo lendo os dois primeiros terços porque o autor não consegue dosar o suspense: os “arc numbers” são “6EQUJ5” (para bom entendedor meio número basta: é o Wow! Signal), então ele joga terços desse número uma única vez na narrativa dos adolescentes – Antoine vê um avião-fantasma de inscrição QU cair, Mia encontra com um mendigo que tem 6E escrito no casaco, Midori tem que entrar pelo misterioso portão J5 no aeroporto – e só. Depois disso, há o drama adolescente que só é quebrado por esparsas pinceladas de pontos de vista ~misteriosos~ que insistem em nos lembrar que há algo de errado.

Mas o drama real só vai acontecer bem no fim do livro, que é quando ele se torna um Perdido em Marte/Interestelar/Gravidade lookalike: fica frenético, agitado e rápido, e falhando como sempre na narrativa. Por exemplo, o autor tem uma mania irritante de pular o ponto de vista para todos os personagens numa única cena, de forma que a narrativa te conta tudo sobre como personagem X se sente. Aí entram os doppelgängers e surge o mistério: será que quem está conosco é MESMO o personagem X? Ou é um doppelgänger? Mas não tema, porque é só ver se esse personagem vai ter um ponto de vista ou não e você saberá. Aconteceu com o Coleman (que não era uma cópia) e com a Midori (que era uma cópia). Não ferra.

O plot twist no final também foi meio cagado: nos últimos momentos da Mia, ela se digladia com sua cópia e uma – não A – Mia entra no escape pod. Eu notei onde isso trocou, mas muitos leitores não. E, claro, você consegue perceber que não é a Mia de verdade porque ela passa a não ter nenhum ponto de vista, de forma que o final fica bobo, arrastado, previsível. Fora que, em vez de terminar de forma forte e dramática – um outro personagem notando que essa não é a Mia De Verdade e fecha as cortinas – não, o autor prefere dedicar mais uns três capítulos a demonstrar o doppelgänger-Mia matando gente e saindo impune.

No final, temos dois enredos distintos aqui: o young adult, que trata os adolescentes, e um terrorzão espacial muito mara. 2/3 são dedicados ao YA, o último 1/3 é ao terror. E isso acaba com a história porque o autor prefere dedicar palavras e páginas para explicar como a ex-namorada do Antoine se sente a explicar ou falar mais da mulher misteriosa que mandou a Midori não entrar no portão J5. Dedica mais pensamento a explicar o passado e por que a Caitlin tornou-se astronauta (10 páginas antes dela morrer) do que a desenvolver mais sobre quem poderia ter mandado o aviso para os adolescentes. No final das contas, essas lacunas poderiam ser a coisa mais assustadora e misteriosa do livro, mas acabam sendo só… potencial jogado fora porque o autor parece nem ao menos se lembrar delas.

Potencial altíssimo para um terror espacial meio Evangelion, execução péssima. Eu realmente detestei esse.

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